Diário da República

Ennui

Julho 20, 2008 · Não Há Comentários

Foi proposta ao Senado da Low Budget Republic uma moção favorável à extinção dos domingos na República. Em lugar do usual domingo, teríamos um segundo sábado, totalizando dois ao longo da semana.

Infelizmente, o Senado encontra-se entediado demais da vida para se ocupar em votar a moção.

DR

→ No CommentsCategorias: Comunicados Oficiais

Fear and Loathing in the Republic

Julho 13, 2008 · 2 Comentários

Neste caótico mês de julho, de 2008 em que a Low Budget Republic recebe mais um morador, este mais antigo que a própria República, fomos todos atacados por uma revoada de morcegos, sul americanos oriundos todos de Rondônia, Brasil. Tais animais da ordem Chiroptera carregam em suas vis mandíbulas um terrível agente alucinógeno, oriundo da digestão das ervas também utilizadas na obtenção do famoso chá de Santo Daime, capaz de fazer suas vítimas, imaginarem coisas temíveis e assutadoras. Após horas de peleja, com os pequenos demônios voadores, nossas defesas foram, incapazes de deter o ataque feroz das feras rondonienses, e fomos todos mordidos, alucinando em seguida uma inglória guerra com o estado de Rondônia misteriosamente imaginada, também por alguns de nossos melhores, leitores. Como efeito colateral da mistura do já citado agente alucinógeno presente nas mandíbulas dos morcegos com a alta concentração de ácido lisérgico presente na dieta dos habitantes da República perdemos todos aqui a capacidade de construir orações, concisas, sofrendo também esporadicamente de um raro distúrbio de hipervirgulismo. Interessante notar também, a capacidade adquirida pelos habitantes da República de viajarem a 1/32 da velocidade, da luz. O intervalo de tempo entre o ataque dos morcegos e a recuperação da lucidez por todos os habitantes da República não passou de 3 dias. Porém, para os observadores do evento lendo o Diário da República e que não estão viajando na mesma velocidade que nós o intervalo de tempo, foi muito maior, fazendo com que nossa, breve nota sobre o ataque tenha sido recebida, um mês depois de sua ocorrência. Mais informações a qualquer momento quando a equipe do Diário da República conseguir reestabelecer sua velocidade normal.

DR

→ 2 CommentsCategorias: Turismo mental

Armas de destruição em massa ambientalmente corretas

Junho 4, 2008 · 2 Comentários

As forças armadas da Low Budget Republic se preocupam bastante com o meio ambiente e a preservação dos recursos naturais do país. Por isso, nossas tecnologias bélicas mais avançadas tem emissão zero de carbono. Ademais, considerando que a pegada de carbono dos inimigos da República é enorme, destruí-los em escala massiva é tão somente um ato positivo para a ecosfera terrestre. Veja a seguir os fatores que nos levaram a ser o primeiro exército do mundo a conseguir um certificado ISO 14000:

Foguetes movidos a combustível líquido

Nossos mísseis fazem uso apenas da combustão entre hidrogênio e oxigênio líquidos, que emitem nada além de água e toneladas de empuxo. Esta é sem dúvida a maneira mais limpa de levar morte e destruição ao inimigo.

Bombas de neutrons

As ogivas de nossos foguetes carregam bombas táticas de neutrons, cuja meia vida radioativa é bastante curta. Isso minimiza os danos à vida orgânica do local atingido, protegendo os ecossistemas a serem conquistados.

Raio da morte solar

Ainda em fase experimental, nosso raio da morte usa apenas luz solar concentrada para destuir alvos estratégicos. A maior vantagem do raio da morte é sua precisão, visto que a luz viaja longas distâncias sem alteração em sua rota, virtualmente descartando qualquer cálculo balístico para efetuar os ataques. A tecnologia aim and shoot dos raios mortais porém é eclipsada pela dificuldade técnica em operar o raio mortal em dias nublados. Felizmente, em dias limpos, é o modo mais elegante e limpo de derreter nações inimigas.

Oscilador de Tesla

Outra maneira de destruir nossos inimigos sem causar danos ao planeta é usar o próprio planeta para destruir nossos inimigos. Por isso contamos também com um oscilador de Tesla, que amplia a frequência vibratória da própria crostra terrestre causando terremotos no território inimigo, com zero emissão de carbono.

Conversão de munição convencional em créditos de carbono

Os gases resultantes da explosão que propele munição convencional (balas) são extremamente tóxicos, tanto à saúde humana de quem as dispara quanto à atmosfera. As forças armadas da LBR conseguiram converter cada bala não disparada por suas armas em créditos de carbono, calculando o volume de munição em relação ao volume de gases estufa gerados. Com o dinheiro arrecadado, pudemos desenvolver nosso raio da morte solar e o oscilador de Tesla (e cobrir os gastos da festa de lançamento da campanha pelas 101 metáforas com modelos tchecas nuas ninfomaníacas, que contou com algumas modelos do leste europeu e poucas roupas).

A Low Budget Republic se orgulha do pioneirismo de suas forças armadas, e espera contar como exemplo num futuro em que os conflitos armados não aqueçam o planeta.

→ 2 CommentsCategorias: LBRU · Relações Exteriores

Parada do Orgulho Racional

Maio 26, 2008 · 4 Comentários

Evolve Fish

O Ministério da Cultura da Low Budget Republic organiza domingo próximo, 31 de maio, a primeira Parada do Orgulho Racional do país (quiçá do mundo). Motivado pela repercussão da Parada do Orgulho Gay na cidade fronteiriça de São Paulo, o chanceler David sugeriu a organização de um evento que divulgue e inspire a tolerância para com as minorias ARHC (ateus, racionalistas, humanistas e céticos).

“A LBR é um oásis para nós, mas fora daqui ainda é muito grande a hostilidade para com as minorias racionais”, disse o Chanceler, ele próprio membro ativo do movimento, em entrevista ao Diário da República. “Com a Parada do Orgulho Racional, esperamos mostrar ao mundo que nós não somos nenhuma ameaça ao modo de vida das populações teístas, e que podemos conviver harmoniosamente em qualquer sociedade.”

Richard Dawkins, que já confirmou a participação de seu trio elétrico na parada, está muito animado com o evento: “Fiquei muito feliz com a iniciativa do chanceler. As minorias ARHC são muito mais estigmatizadas que a população GLBT do mundo. Nós também temos direito a desfilar nossas bandeiras, e a LBR entra pra história como primeira nação a abraçar o movimento de modo tão positivo”.

A polícia da LBR está se preparando para evitar a participação de grupos radicais na parada racional. Na manhã desta segunda-feira, um grupo de comunistas foi detido na fronteira do país carregando um boneco de Pascal e uma bandeira do Vaticano. “Eles pretendiam atear fogo na bandeira e espancar o boneco”, disse ao Diário o comissário David da Polícia Republicana. “Não gostamos de generalizar, mas comunistas costumam radicalizar qualquer manifestação desse tipo, especialmente os soviéticos mais idosos. Já tomamos previdências para que Noam Chomsky não entre na República durante o evento.”

A parada será realizada domingo, a partir das 14h no país (-3h em relação a Greenwich). O trajeto começa na sala do apartamento, e se encerra as 18h na varanda. Trios elétricos como o de Richard Dawkins e da cantora islandesa Björk animarão a multidão de participantes, que de acordo com a Polícia Republicana pode alcançar a incrível cifra de 20 pessoas. Balões gigantes de caricaturas de Carl Sagan e Bertrand Russel flutuarão nos céus da República durante o evento.

DR

→ 4 CommentsCategorias: Comunicados Oficiais

The Bravery of Emptiness

Maio 24, 2008 · Não Há Comentários

10-6 moléculas por cm³. Esse é o vácuo intergaláctico, o mais próximo que se chega do vazio absoluto. É o mesmo que ter um atómo, vejamos… um único átomo em 1 bilhão de quilômetros cúbicos, acho (cúbicos, não quadrados, veja bem). Podem ser 10 ou 100 bilhões de quilômetros, eu sempre me atrapalho com muitos zeros. A densidade aumenta um pouco no espaço entre as estrelas; tem gases, poeira estelar e garrafas PET*, mas ainda assim é bem vazio. Vazio mesmo. Ultra vazio. O espaço intergaláctico ocupa mais ou menos 90% do universo como o conhecemos. É como se vazio fosse a regra, e matéria a exceção.

Enfim, vazio. Vivemos num universo muito grande e vazio. Passe o dedo atrás do seu monitor; tem uma poeirinha, não? (é pra ter, sempre tem poeirinha atrás do monitor). Agora imagine essa poeirinha na ponta do seu dedo, em relação à Via Lactea. Nah, Via Láctea e Andrômeda. E as Nuvens de Magalhães, pra arredondar. Pensando bem, todas as galáxias conhecidas. É essa a relação entre nós - o planeta, com todos os Homo sapiens que já viveram até hoje, todos os artigos da Wikipedia, todo o spam e a pornografia da internet - e o resto do universo. Insignificante. Irrelevante. Um ser humano a cada bilhão de quilômetros cúbicos.

Desenvolver um senso real dessa proporção é fatal em 100% dos casos. Eu desenvolvi uma vaga - vaguíssima - idéia da coisa, e entrei em depressão clínica por uns cinco anos. Só me recuperei quando passei a carregar uma toalha comigo o tempo todo. Por conta disso, o Dia da Toalha se tornou um feriado nacional na Low Budget Republic. O país todo entra em recesso para refletir sobre a segurança proporcionada pela companhia constante da toalha. O uso de toalhas também é obrigatório a todos os cidadãos da LBR, em todos os dias do ano. Neste 25 de maio, sugiro que façamos todos um favor a nós mesmos, e reflitamos sobre o quão significante é uma toalha em nossas vidas. A equipe do Diário da República deseja a todos um feliz dia da Toalha.

*no espaço interplanetário também tem sacolas plásticas e folhetos de empreendimentos imobiliários.

→ No CommentsCategorias: Turismo mental

101 metáforas com modelos tchecas nuas ninfomaníacas, ou, nada de novo na República

Maio 20, 2008 · 3 Comentários

Nada de importante, ao menos. Esse é um daqueles momentos na imprensa oficial de um país em que só resta falar sobre o festival da jabuticaba de Jabuticabal ou o concurso de poesia dos idosos de Braga (essa é pra vocês, leitores portugueses!).

Pois bem, a Low Budget Republic aproveita a oportunidade então pra lançar oficialmente seu mais novo (e primeiro) concurso cultural: 101 metáforas com modelos tchecas nuas ninfomaníacas.

Como é bem sabido por todos, as modelos do leste europeu, especialmente as tchecas e as ucranianas, são lindíssimas. Tão lindas que o mundo merece mais metáforas com elas. Um exemplo prático é este comentário sobre o desenrolar global da crise econômica dos EUA, elevado aos píncaros da arte, graças a metáfora com modelos tchecas nuas ninfomaníacas:

O mundo antes da crise imobiliária nos EUA era como uma porção de modelos tchecas nuas ninfomaníacas distribuindo free hugs em mercados de risco.

Magnífico.

A LBRU se propôs então a recolher 101 metáforas com modelos tchecas nuas ninfomaníacas para as preservar pela eternidade na capsula do tempo com metáforas supremas*. Para contribuir, basta deixar sua metáfora ali nos comentários. As melhores metáforas serão publicadas no Diário da República, assim como seus respectivos autores. Não há prazo para o envio das metáforas, e o concurso só acaba quando acumularmos 101 metáforas que mereçam ser preservadas pela eternidade. Como ninguém lê de fato o Diário da República, muito menos comenta, provavelmente levará outra eternidade para conseguir as 101 metáforas.

Modelo

Eu sou uma modelo tcheca e aprovo esta mensagem.

*É uma capsula de platina cheia de metáforas.

→ 3 CommentsCategorias: Comunicados Oficiais

Abalos sísmicos na República

Abril 24, 2008 · 2 Comentários

A República estava completamente inabitada por volta das 21h do dia 22 de abril de 2008, então ninguém pode relatar nada sobre o pequeno abalo sísmico que supostamente também atingiu nosso território. Brasileiros residindo na fronteira com a LBR relataram à equipe do Diário no dia seguinte que sentiram as vibrações do abalo por alguns segundos, e que objetos como lustres e prateleiras de fato oscilaram em suas residências.

O Chanceler David estava atendendo a compromissos de Estado em um território do Vaticano próximo à República e pode sentir as vibrações da crosta terrestre. “Eu achei que estivessem invadindo a reitoria da universidade com uma bulldozer. Esses socialistas, você nunca sabe o que eles vão aprontar, não é mesmo?” Em instantes, porém, o chanceler percebeu não se tratar de um evento corriqueiro: “A estrutura vibrava numa frequência diferente, era como se estivesse no mar em meu iate. Por precaução, mandei buscarem minha yachting jacket.”

Recentemente, as Forças Armadas da LBR têm conduzido uma investigação sobre o desaparecimento de um protótipo do Oscilador de Tesla dos laboratórios da LBRU. Tal máquina, como é de conhecimento geral, é teoricamente capaz de causar até mesmo terremotos, amplificando oscilações da crosta terrestre. Os cientistas da LBRU afirmam que a máquina era desenvolvida apenas com fins pacíficos, embora seu uso bélico seja possível. O protótipo desaparecido, de acordo com os cientistas, seria capaz de provocar os abalos registrados no sudeste brasileiro no dia 22 de abril.

“É um tanto suspeita, essa declaração”, afirmou hoje o marechal David, líder das forças armadas da LBR, “porque eu vi pessoalmente o protótipo alguns dias antes de seu desparecimento, e era só um cabo de vassoura com uma mola.” Para o marechal, embora a LBR seja líder no desenvolvimento teórico de tecnologias como a pasta de gente feia ou a geração de energia com pessoas bipolares, o desenvolvimento prático de um mecanismo capaz de gerar poderosos abalos sísmicos em regiões tão distantes está além das capacidades técnicas da LBRU. Indagados a respeito das suspeitas do marechal, os cientistas da LBRU responderam que “o segredo está na mola”.

Não foram relatados danos estruturais ou de qualquer outra natureza na LBR por ocasião do tremor de terra na costa brasileira. Novas notícias sobre o abalo sísmico ou o desaparecimento do Oscilador de Tesla poderão ser noticiadas pelo Diário da República a qualquer momento.

DR

→ 2 CommentsCategorias: Comunicados Oficiais

Hobbes’ Love Pocket Book

Abril 17, 2008 · 4 Comentários

Da obra prima da política amorosa realista de Hobbes:

Primeira lei da natureza: Todo homem se esforça para conseguir sexo na medida em que tenha esperança de o conseguir, e caso não o consiga pode procurar e usar todas as ajudas e vantagens da guerra ou do mercado.

Desta lei da natureza, mediante a qual todos os homens se esforçam para conseguir sexo, deriva esta segunda lei:

Segunda lei da natureza: Que um homem concorde, quando outros também o façam, e na medida em que tal considere necessário para a paz e para a defesa de si mesmo, em resignar ao seu direto a todas as mulheres, contentando-se, em relação aos outros homens, com a mesma liberdade que aos outros homens permite em relação a si mesmo.

Ao estado de natureza em que homens fazem guerra por afeto, chama-se amor. Da segunda lei da natureza deriva o contrato firmado pelos homens para deixar o estado de natureza: a pornografia.

→ 4 CommentsCategorias: LBRU

Se uma guerra nuclear aniquilasse a humanidade, a Terra seria povoada por baratas e Chuck Taylor’s

Março 27, 2008 · 3 Comentários

This is not a sneacker.

Certo, eu deveria escrever esse post ano que vem, porque em 2009 o design completa 50 anos, mas provavelmente não vou lembrar. Sim, esse é o mesmo design lançado por Chuck Taylor em 1949, inalterado até hoje. A única novidade foram as cores novas.

Resumindo a história do tênis em três parágrafos: Uma pequena fabricante de calçados de Massachusetts produzia esses calçados chamados All Star pro recém-descoberto esporte, o basquete*, no início do século XX (1917, pra ser mais preciso). Em 1921 um jogador de basquete chamado Chuck Taylor conseguiu um par de tênis novos grátis da companhia depois de prometer que promoveria o produto. Ele realmente fez isso, com bastante sucesso. Depois de algum esforço por parte do senhor Taylor todos os times de basquete usavam All Star, e a mulecada do bairro também adorava o charmoso calçado todo preto de lona e borracha. Como gratificação a Converse presenteou Chuck Taylor com um par de tênis novos e permitiu que ele assinasse seu nome no círculo branco com a estrelinha no tornozelo do calçado.

Em 1930 Chuck desenhou o modelo branco (o de lona, não aquele de couro que todo emo batuta tem) para ser usado nas Olimpíadas de 1936. É de fato um modelo bem patriótico, até as faixas no solado tem as cores da bandeira dos EUA. Na mesma época a Adidas lançou uma linha de calçados com suásticas que se tornou bastante popular entre a juventude nazista, mas jamais ganhou o mundo. Mais tarde, durante a guerra, Chuck Taylor se tornou capitão da Força Aérea Americana e fez todos os recrutas do país usarem um par de All Star durante seus exercícios, promovendo o calçado e bolhas nos pés das forças armadas.

Após a guerra, em 1949, Chuck lançou o modelo clássico defintivo, com o solado de borracha branco e a lona preta. Em 2005 eu comprei esse mesmo modelo e desde então não parei de usar esses calçados supimpas. Um design de calçado que dura 50 anos só pode ter algum poder místico sustentando tamanha longevidade, e aposto que consigo extender minha expectativa de vida usando sempre um par de All Stars.

Em 1966 a Converse dominava 80% do mercado dos tênis nos EUA - em comparação, o máximo que a Nike conseguiu foram 50% do mercado em 1980. A teoria mística do All Star ganha mais um ponto pelo domínio massivo do mercado (mas isso só porque a China estava ocupada demais na época matando gente alfabetizada pra ter tempo de se especializar na arte de fabricar o mundo) . Ironicamente, em 2003 a Nike comprou a Converse, que tinha ido à falência. As fábricas saíram dos EUA e foram para a Ásia (embora a etiqueta dos meus All Star diz que eles foram feitos por aqui mesmo). Há agora uma porrada de modelos novos, desde o sem graça cano baixo até o exótico All Star de pele de hiena e solado de látex reciclado de preservativos.

De qualquer maneira, o Chuck Taylor’s All Star clássico continua, ehm, um clássico, e é hoje um dos grandes tesouros da Low Budget Republic.

*De acordo com a Wikipedia, foi Cristóvão Colombo quem descobriu o basquete, em 1902. Ele batizou o esporte de “bola ao cesto”.

→ 3 CommentsCategorias: Comércio Exterior

Maybe we should blame it on the structures of the sun

Março 25, 2008 · Não Há Comentários

Finalmente encontrei um objetivo para minha carreira acadêmica. Hei de descobrir por que em 2001 não estávamos no espaço, viajando para Júpiter com computadores psicopatas.

Sei que é culpa dos comunistas, e que uma das consequências de sua nefasta conspiração foi o aquecimento global. Documentos históricos que comprovam as ações secretas do governo soviético contra o programa espacial de Stanley Kubrick podem ser encontrados na programação do The History Channel, durante as madrugadas de segunda-feira. Não há fonte mais confiável para uma pesquisa acadêmica séria como a minha.

Trata-se entretanto de um projeto pessoal, a ser desenvolvido durante meu intercâmbio na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, fruto de uma política de aproximação cultural entre o Vaticano e a LBR. Os pesquisadores da LBRU continuam trabalhando no problema da atração de expertise feminino para solucionar os problemas populacionais do país povoando-o com uma raça superior (é estrategicamente vital para a LBR que eu tenha filhos bonitos) .

***

O Ministério da Ciência e Tecnologia da Low Budget Republic anuncia essa semana um acordo com a Universidade Municipal de Itamonte para pesquisar a tecnologia da pasta de gente feia. Pasta de gente feia, segundo as mais brilhantes mentes atuais, é o combustível espacial do futuro. Moendo gente feia até alcançar uma pasta de partículas de nanômetros de diâmetro, é possível sintetizar uma substância concentrada tão repulsiva que a própria matéria se desloca para longe do concentrado de gente feia, proporcionando assim um impulso específico ótimo, inigualável por qualquer motor jamais concebido pela humanidade . O limiar teórico ainda é um tanto obscuro no que tange à capacidade da pasta de gente feia de repelir o próprio vácuo. Os físicos da LBRU estão trabalhando sobre a hipótese de que Partículas de Grande Massa que Interagem Fracamente se manifestariam, liberando tremendas quantidades de energia, quiçá suficientes para dar vida a novas estrelas.

Os pesquisadores da Universidade Municipal de Itamonte se concentram na questão da manufatura da pasta de gente feia; vários métodos foram teoricamente propostos, mas ainda é necessário testar sua viabilidade prática e em larga escala. Atualmente, a tecnologia mais promissora para sintetizar a substância consiste em aplicar pauladas em gente feia até reduzí-las à pasta.

DR

Les Savy Fav - What Would Wolves Do

→ No CommentsCategorias: Comunicados Oficiais · LBRU