Diário da República

OMG OMG

Março 23, 2009 · 1 Comentário

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Espalhe o amor neste natal

Dezembro 22, 2008 · 2 Comentários

Mas não me mande slides com mensagens natalinas. Sério. Porque eu vou responder, e vai ser assim:

Olá. Recebi os slides com uma mensagem de natal que você repassou pra mim. Devem ser muito tocantes porque dá pra ver que algumas centenas de emails já receberam e repassaram essa mensagem por aí. Mas eu não gostei. Achei as frases ruins, clichês simplórios de fins de ano sem nenhum conteúdo em especial. E as imagens? Que cafonas! Sem falar na fonte feia, cores horrendas e a diagramação de aluno do pré-primário. São slides feios e cafonas, e você repassou eles pra mim. Por que fez isso? Eu nunca te mandei nada feio e cafona. De fato, nem te desejei feliz natal.

Por que você me deseja feliz natal? É porque todos estão fazendo isso? Ou é por algo mais profundo, digamos, como altruísmo cristão? Acha bacana espalhar um pouco de amor e carinho ao mundo nessa época do ano? Mas por que só agora? Por que não me desejou felicidade e prosperidade na páscoa, ou em Tiradentes? Não recebi slides com fotos das esculturas de Aleijadinho e frases cristãs de auto-ajuda em abril.

E se eu tivesse te dado uma cortada no trânsito? Você buzinaria e gritaria HEY EU E MINHA FAMÍLIA TE DESEJAMOS UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO? E se eu pisasse no seu pé? Zombasse você por meu time ter goleado o seu? Você responderia me desejando tudo de bom, usando versículos da bíblia ou frases toscas supostamente de autoria de Clarice Lispector ou Albert Einstein? Provavelmente não. Se você soubesse o email das pessoas que fazem isso no seu dia-a-dia, removeria eles da lista que usa pra repassar mensagens tocantes ou piadas engraçadas.

Mas olha só, você não excluiu o meu endereço. Você foi em frente e me repassou os slides cafonas. Deu no que deu: fiz questão de te responder um email malcriado que, no caso de você ser uma pessoa super positiva e cristã como a que zelosamente preparou os slides, vai te deixar pensando em como há gente no mundo que não quer ser feliz e que ninguém mais também o seja, ou qualquer coisa que o valha. Espero que você fique de mau humor, mesmo que por apenas alguns segundos. Que mostre meu email aos seus colegas de trabalho para que todos me xinguem e passem uns bons 15 minutos pensando em como me responder malcriadamente de modo mais complexo que um simples vai tomar no cu. Espero que isso estrague sua manhã. Porque você é cafona, e fez questão de demostrar isso pra mim.

E se eu vir você, vou pisar no seu pé.

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Das reformas da República

Novembro 24, 2008 · Deixe um comentário

Embora o ciclo de atualizações do Diário da República seja naturalmente longo, há algo mais profundo por trás da atual ausência de notícias.

Ajuste. Reforma. Revolução. (ainda não decidimos qual nome dar para o evento, por motivos lexicais e mercadológicos)

O fato é que as coisas estão mudando na República, em um ritmo aproximado ao de uma lei de Moore política hipotética para Estados privados. Enquanto o nucléolo da República se contorce em movimentos mutacionais, com novas cadeias de informação deformadas por memes extrópicos à noosfera, David se encolhe em um cantinho do quarto/capital com medo das coisas ainda por vir.

Retornaremos assim que a capacidade de processamento política for exponencialmente ampliada e a normalidade lexical – porque afinal, quem diabos sabe o que é noosfera? – for reestabelecida.

DR

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Your love is like a rollercoaster baby

Outubro 23, 2008 · 3 Comentários

You give me that funny feeling in my tummy...

Tristes dias para a economia mundial. Com esse clima geral de parô ae, só vale dinheiro de verdade agora. O que é uma pena, porque o financial high foi um dos melhores baratos das últimas décadas. E também porque dinheiro de verdade é uma raridade, esses dias.

Top Gun e Caçada ao Outubro Vermelho deram algum sex appeal pra Guerra Fria, mas os tailleurs e sushi bars do mundo multipolar foram muito mais sexy. Era tudo uma questão de ser criativo, inventar um modo mágico de multiplicar dinheiro. Já ouviu falar em fundos Hedge? Genial. A coisa toda tinha suas bolhas, é claro, mas nada que não pudesse ser chamado de “pequeno ajuste” depois de algum tempo. Por mais imaginário que fosse o mundo financeiro, era lá onde o dinheiro da economia real ia para se reproduzir.

Até que tudo fez um pop! diferente.

Chegamos a um ponto em que de cada 3 dólares circulando no mundo, apenas 1 é de verdade, na forma de alguma coisa que existe no presente. O resto? Pura magia. A Low Budget Republic nunca viu problema algum nisso – dinheiro imaginário é tão sólido quanto um país imaginário, como se costuma dizer por aqui – mas ano passado alguém rompeu o paradoxo dos sapos voadores* e a coisa começou a ruir. Foi interessante o lag entre a crise do subprime do ano passado e a crise bancária derradeira atual; tecnicamente (ao menos daqui 5 anos vão dizer isso) é a mesma crise, mas algum mecanismo empurre-pra-debaixo-do-tapete-e-assovie-como-se-não-tivesse-acontecido-nada entrou em ação no período entre as crises. Enfim, foi um crash de realidade, como se os operadores do mercado financeiro tivessem tomado um café muito, mas muito forte e percebido de repente que a vida é uma grande ilusão.

Ninguém quer brincar mais de dinheiro de mentirinha. Os Estados tiveram que tirar do próprio bolso pra cobrir o vácuo deixado pelo dinheiro que na verdade nunca esteve lá, e agora estão planejando fazer um novo Breton Woods. Querem acabar com a magia. As coisas vão ficar mais chatas daqui pra frente, e vai ficar assim por um bom tempo. Eventualmente, porém, o status quo do liberalismo irá retornar, e a imaginação voltará a prosperar no mundo. Até que esse dia chegue, a economia da Low Budger Republic entrará em modo de hibernação por tempo indeterminado.

Boa noite.

*Dois sapinhos estavam voando, lado a lado. De repente um deles diz “hey, sapos não voam!” e os dois sapos começam a cair. Instantes depois, o outro sapo tem uma epifania: “mas sapos também não falam!” e ambos recuperam o vôo.

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Há algo de podre no reino da Antarctica

Outubro 8, 2008 · Deixe um comentário

Os leitores já viram isso?

http://www.antarcticaempire.com/

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Política quântica

Outubro 4, 2008 · 2 Comentários

Com o clima de eleição na cidade vizinha de São Paulo, muito se tem indagado a respeito da democracia na Low Budget Republic. Afinal, tudo que se sabe a respeito é que há cerca de dois anos, o Chanceler David foi eleito por ex-habitantes da República para reviver a República Ideal de David o Indie (veja Visite a Low Budget Republic! Parte 2). Entretanto, atualmente, restam muitas dúvidas: A Low Budget Republic é uma República democrática? (não, nem todas as repúblicas são democracias) Se sim, como é seu sistema eleitoral? O quão próxima a República está de uma poliarquia? O quão institucionalizado é o governo lowbudgetano? Como é feita a distribuição de poderes?

Ora, a resposta a todas essas perguntas é bastante simples, e ainda assim mindblowingly revolucionária. A Low Budget Republic é a primeira nação do mundo, quiçá do universo, a praticar a POLÍTICA QUÂNTICA.

Primeiramente, deve ser dito que a política quântica praticada pela LBR não deve ser confundida com as idéias bizarras de política quântica propagadas pela internet. Nosso sistema político foi desenhado num esforço interdisciplinar colossal de todos os cientistas da LBRU. A idéia original na verdade era acabar com o caráter de baixo orçamento da República, mas este objetivo se provou intangível, ao menos com a tecnologia atual. Ainda assim o nascimento da política quântica real foi mais do que recompensador.

Vamos então à descrição do governo quântico lowbudgetano:

A Low Budget Republic é uma república democrática, unicameral, consensualista e semi-presidencialista, com uma constituição escrita orgânica. O primeiro ministro comanda o Senado, que aprova ou não as medidas adotadas pelo Gabinete do Chanceler. O poder legislativo analisa a constitucionalidade das ações do Senado e do Gabinete, com poder de veto. O Chanceler também é responsável pela política externa do país, função também a qual todo o seu gabinete é dedicado, dado o caráter territorial do país (encravado no coração do Brasil). Há ainda secretarias para melhor distribuir a administração interna. As forças armadas da LBR respondem apenas ao Senado, e não ao gabinete do Chanceler.

Até aí, nada de tão revolucionário; porém, o caráter mais impressionante de nosso governo é que todos os cargos e funções são exercidos por um único indivíduo: David. O político conta com uma função de onda única no universo, que o permite executar todas as funções ao mesmo tempo. E mais: além de ocupar todos os cargos governamentais, David também representa TODA a população da LBR. 100% de representação, 100% de accountability*. A Low Budget Republic é, em essência, a poliarquia ideal.

E quanto às eleições na Low Budget Republic?

Ora, trata-se do único caso de eleições quânticas no mundo. Na Low Budget Republic, o eleitor não escolhe um candidato, mas antes, vota em uma nuvem de probabilidade onde todos os candidatos estão ou não eleitos. Todos os candidatos também estão inseridos em outra nuvem de probabilidade que engloba todos os partidos políticos. Considerando a função de onda da população-governo, o conceito de eleger ou não um ou todos os candidatos de todos ou nenhum partido que vão ou não governar é bastante plausível.

Impressionante.

Certamente. Recomendamos agora ao leitor que saia da frente do computador, vá dar uma volta e refletir a respeito desta que é a maneira mais revolucionária e genial de gerir uma nação.

Mais detalhes sobre o dia a dia do governo quântico lowbudgetano a qualquer instante, no Diário da República.

*considerando que David seja sincero consigo mesmo.

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Notícias da fronteira

Setembro 11, 2008 · Deixe um comentário

“Terminamos a era dos economistas governarem o país e voltaram os engenheiros a governar o país”.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil

Logo ao saber da declaração do presidente vizinho, o Chanceler David expressou, em seu discurso de inauguração das obras de construção de uma usina eólica na varanda, sua alegria por “ver que uma grande nação como o Brasil, a qual nós devemos tanto, sempre coloca as melhores mentes no comando de suas funções vitais”. Ainda durante a solenidade, o Chanceler fez ao presidente Lula uma oferta informal de envio de biblioteconomistas da LBRU para auxiliar o governo brasileiro na gestão de seus postos de saúde.

Mais notícias internacionais a qualquer momento, no Diário da República.

DR

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O mundo não acaba hoje

Setembro 10, 2008 · 1 Comentário

Ao menos não por culpa do LHC. Sério. Nem vão colidir nada, hoje. E quando começarem a colidir, hey, não vai fazer nada que raios cósmicos já não façam diariamente.

Entretanto, por se mostrar um competidor perigoso para a LBRU no campo da física teórica, o Alto Comando Estratégico da República decidiu que algo deve ser feito para impedir a realização de experimentos no grande acelerador de partículas europeu. Assim, surgiu o Plano Omega:

É bastante simples e engenhoso. Infiltraremos agentes do nosso serviço secreto na equipe de pesquisadores do LHC, e, em um momento oportuno, estes inserirão no acelerador de partículas um adorável gatinho de Schrodinger (chamado carinhosamente de Omega – daí o nome do plano). A princípio, a idéia é sabotar os experimentos do LHC preenchendo o acelerador com uma nuvem de probabilidade de um gato vivo-e-morto que certamente provocará nas eventuais partículas de deus manifestas uma certa confusão em relação a seus deveres quânticos e seus deveres espirituais – afinal, uma criatura que percorre ao mesmo tempo dois dos planos da criação certamente deve ser detida.

Como a Low Budget Republic é um Estado laico e todos os seus cientistas são ateus, nenhum físico da LBRU acredita nas partículas de deus. Por isso, o plano Omega tornou-se motivo de divertimento entre os nossos cientistas, que especulam sobre as consequências da manifestação da nuvem felina no interior do acelerador: “Eu particularmente acredito que a nuvem de Omega vai colidir com todas as partículas existentes ao mesmo tempo fazendo com que seu miado derradeiro seja ouvido por todo o universo”, diz David, físico de partículas da LBRU. Já David, chefe do departamento de biologia da LBRU, especula que “a colisão vai tornar possível não apenas a sobrevivência de Omega, como também fará com que ele mude de filo”.

A equipe do Diário da República procurou o Chanceler David para saber sua opinião a respeito das ações desleais dos cientistas da LBRU, mas este limitou-se a dizer que sentirá falta do simpático Omega.

Mais informações sobre o Plano Omega a qualquer instante no Diário da República.

DR

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A LBR e a Rodada Doha

Agosto 21, 2008 · 1 Comentário

Acompanhe a verdadeira história do fracasso das negociações

Na primeira semana de julho de 2008, o Chanceler David se aproximou de representantes da Índia e da China com uma proposta ambiciosa: vender o Brasil. O argumento era simples: Com nossas tropas e armas de destruição em massa (ambientalmente corretas) posicionadas no coração do país, o Brasil não teria a menor chance de resistir à conquista. Executada a manobra conquistadora, os espólios seriam encaminhados ao autor do maior lance. Mais do que convencidos da potência bélica de nossa nação de baixo orçamento, indianos e chineses puseram-se a discutir os valores envolvidos.

Eventualmente, a Índia lançou o maior lance. China então se excusou das negociações por conta de seus planos de expansão da economia socialista de mercado através do continente africano. O Chanceler oferceu um desconto pelo Paraguai, e os orientais prometeram pensar bem na proposta.

Considerando os gastos necessários para gerir o Brasil, e também os obstáculos ao pleno-lucro na américa do sul, indianos recorreram à rodada Doha para tentar garantir seu investimento. Infelizmente, devido ao vazamento de informações sobre o acordo de venda da LBR no Twitter, as negociações foram duramente prejudicadas, e a Índia não conseguiu lastro suficiente para sua oferta de compra. Há boatos também de que o Brasil ensaia agora uma aliança sul-americana para deter qualquer avanço expansionista da LBR – o que se sabe, é claro, ser um vão esforço.

Embora a venda não tenha sido concretizada, a Low Budget Republic mantém seu arsenal pronto 24/7 para a conquista do território brasileiro (e também para a eliminação de porções étnicas da preferência do comprador). Para maiores informações a respeito de aquisições territoriais e auxílio bélico, contatar o Ministério da Guerra da Low Budget Republic através do email comercial@mdg.gov.lb

Os lances pelo Brasil começam em 10 caixas de Westvleteren 12.

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O dia da Consciência Pesada

Agosto 2, 2008 · 2 Comentários

Pensando sempre no bem estar de seus cidadãos, o governo da Low Budget Republic passa a adotar a partir deste ano o feriado da Consciência Pesada, na segunda sexta-feira de agosto. Em comunicado oficial enviado ao Diário da República, o Chanceler David diz:

O feriado da consciência pesada foi decretado para prover um breve descanso aos cidadãos da República no mês de agosto. Como seguimos o calendário da cidade vizinha (São Paulo) por motivos comerciais, acabamos nos sobrecarregando de trabalho durante o oitavo mês do ano, enquanto que durante meses como novembro temos feriados demais, atrapalhando a rotina do país. Mesmo ignorando feriados religiosos do país vizinho, somos prejudicados pela interrupção das operações da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa de Mercados e Valores Futuros, onde nossos ativos são negociados.

Esperamos trocar o dia da Consciência Pesada pelo dia da Consciência Negra; em agosto, corretores de São Paulo realizam viagens de negócio à LBR, passando aqui um agradável feriado. Em troca, os ativos da República são negociados normalmente em novembro, durante o dia da Consciência Negra.

Indagado a respeito da invasão da República por corretores paulistanos durante o feriado, o Chanceler disse, em tom informal: “Ora, ninguém precisa efetivamente vir até a LBR, precisa? É só carimbar o passaporte dos corretores e indicar um bar* onde podem tomar uma cerveja em paz, extendendo o happy hour de sexta feira.”

Oficialmente, o feriado da Consciência Pesada serve ao propósito de lembrar a todos os cidadãos da Low Budget Republic das atrocidades cometidas por seu país e por suas próprias personalidades ao longo da história, provendo a todos alguns momentos de vergonha e arrependimento. Em seguida, é tradicional que os habitantes do país se redimam de suas culpas entornando alguns litros de cervejas belgas cerimoniais.

*A Equipe do Diário da República recomenda o Bar Bezerra, localizado na Vila Romana, em São Paulo. Tradicionalmente, comemora-se o Dia da Consciência Pesada com algumas garrafas de Westmalle Dubbel.

DR

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