Socialismo revolucionário no século XXI é, basicamente, uma questão de saber utilizar pontos de exclamação. Graças a toda a evolução linguística através dos séculos, capaz de alcançar mesmo as frentes revolucionárias avessas ao conhecimento burguês, há toda uma convenção sobre como o discurso exclamativo revolucionário une os modernos socialistas.
“Greve já!” é uma forma que tal grupo desenvolveu como saudação. Tem toda uma verve histórica, e seu falante traz consigo o sabor de todos os movimentos operários de que nunca participou, na luta por justiça e igualdade. Vocábulos como “ocupação” e “geral” correm com freqüência pelos lábios destes indivíduos que absorvem o livre espírito da revolução, e suas canetas transbordam frases de efeito em banheiros universitários.
Há, é claro, exageros, como também aqueles que simplesmente não absorveram bem o conceito da coisa. É interessante notar a proliferação de mensagens revolucionárias com o uso de pontos de exclamação duplos que denotam total falta de traquejo com o dialeto revolucionário. Os casos mais lamentáveis se traduzem na clássica frase “GREVE GERAL JÁ!!!!. A caixa alta, o uso hediondo do vocábulo chave “geral” e não dois, mas quatro pontos de exclamação tornam a frase um lamento daqueles que tentam, mas jamais conseguem exalar os vapores da verdadeira luta. Estes munem-se de frases terríveis e aspirações socialistas megalomaníacas.
É o caso dos habitantes da República Socialista da Lapa de Baixo. Em recente comunicado à imprensa internacional (até o Diário da República recebeu o release!), os revolucionários do país exigiram a derrubada do próprio governo socialista e a instauração (sic) IMEDIATA!!!!! de Fidel Castro como seu novo líder.
O governo nacional entretanto limitou-se a declarar luto oficial em toda a nação, e os principais membros do Partido Comunista da Lapa de Baixo não param de chorar há já alguns dias. De nada adiantaram os avisos da comunidade internacional sobre a renúncia voluntária de Fidel Castro e o fato de que ele ainda vive; a República Socialista da Lapa de Baixo exige que os socialistas do mundo unam-se “imediatamente!!!!!” para salvar Cuba.
Indagado a respeito, o chanceler David disse que a renúncia de Fidel é irrelevante para a LBR, exceto talvez pelo fato de que isso incomoda Hugo Chavez, eterno inimigo da República. Quanto às manifestações exclamativas da República Socialista da Lapa de Baixo, o chanceler declarou que “isso lançou nossos planos de expansão territoral de volta à gaveta. Só nos resta construir mais mísseis”.
DR
