Diário da República

Entradas do Março 2008

Se uma guerra nuclear aniquilasse a humanidade, a Terra seria povoada por baratas e Chuck Taylor’s

Março 27, 2008 · 3 Comentários

This is not a sneacker.

Certo, eu deveria escrever esse post ano que vem, porque em 2009 o design completa 50 anos, mas provavelmente não vou lembrar. Sim, esse é o mesmo design lançado por Chuck Taylor em 1949, inalterado até hoje. A única novidade foram as cores novas.

Resumindo a história do tênis em três parágrafos: Uma pequena fabricante de calçados de Massachusetts produzia esses calçados chamados All Star pro recém-descoberto esporte, o basquete*, no início do século XX (1917, pra ser mais preciso). Em 1921 um jogador de basquete chamado Chuck Taylor conseguiu um par de tênis novos grátis da companhia depois de prometer que promoveria o produto. Ele realmente fez isso, com bastante sucesso. Depois de algum esforço por parte do senhor Taylor todos os times de basquete usavam All Star, e a mulecada do bairro também adorava o charmoso calçado todo preto de lona e borracha. Como gratificação a Converse presenteou Chuck Taylor com um par de tênis novos e permitiu que ele assinasse seu nome no círculo branco com a estrelinha no tornozelo do calçado.

Em 1930 Chuck desenhou o modelo branco (o de lona, não aquele de couro que todo emo batuta tem) para ser usado nas Olimpíadas de 1936. É de fato um modelo bem patriótico, até as faixas no solado tem as cores da bandeira dos EUA. Na mesma época a Adidas lançou uma linha de calçados com suásticas que se tornou bastante popular entre a juventude nazista, mas jamais ganhou o mundo. Mais tarde, durante a guerra, Chuck Taylor se tornou capitão da Força Aérea Americana e fez todos os recrutas do país usarem um par de All Star durante seus exercícios, promovendo o calçado e bolhas nos pés das forças armadas.

Após a guerra, em 1949, Chuck lançou o modelo clássico defintivo, com o solado de borracha branco e a lona preta. Em 2005 eu comprei esse mesmo modelo e desde então não parei de usar esses calçados supimpas. Um design de calçado que dura 50 anos só pode ter algum poder místico sustentando tamanha longevidade, e aposto que consigo extender minha expectativa de vida usando sempre um par de All Stars.

Em 1966 a Converse dominava 80% do mercado dos tênis nos EUA – em comparação, o máximo que a Nike conseguiu foram 50% do mercado em 1980. A teoria mística do All Star ganha mais um ponto pelo domínio massivo do mercado (mas isso só porque a China estava ocupada demais na época matando gente alfabetizada pra ter tempo de se especializar na arte de fabricar o mundo) . Ironicamente, em 2003 a Nike comprou a Converse, que tinha ido à falência. As fábricas saíram dos EUA e foram para a Ásia (embora a etiqueta dos meus All Star diz que eles foram feitos por aqui mesmo). Há agora uma porrada de modelos novos, desde o sem graça cano baixo até o exótico All Star de pele de hiena e solado de látex reciclado de preservativos.

De qualquer maneira, o Chuck Taylor’s All Star clássico continua, ehm, um clássico, e é hoje um dos grandes tesouros da Low Budget Republic.

*De acordo com a Wikipedia, foi Cristóvão Colombo quem descobriu o basquete, em 1902. Ele batizou o esporte de “bola ao cesto”.

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Maybe we should blame it on the structures of the sun

Março 25, 2008 · Deixe um comentário

Finalmente encontrei um objetivo para minha carreira acadêmica. Hei de descobrir por que em 2001 não estávamos no espaço, viajando para Júpiter com computadores psicopatas.

Sei que é culpa dos comunistas, e que uma das consequências de sua nefasta conspiração foi o aquecimento global. Documentos históricos que comprovam as ações secretas do governo soviético contra o programa espacial de Stanley Kubrick podem ser encontrados na programação do The History Channel, durante as madrugadas de segunda-feira. Não há fonte mais confiável para uma pesquisa acadêmica séria como a minha.

Trata-se entretanto de um projeto pessoal, a ser desenvolvido durante meu intercâmbio na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, fruto de uma política de aproximação cultural entre o Vaticano e a LBR. Os pesquisadores da LBRU continuam trabalhando no problema da atração de expertise feminino para solucionar os problemas populacionais do país povoando-o com uma raça superior (é estrategicamente vital para a LBR que eu tenha filhos bonitos) .

***

O Ministério da Ciência e Tecnologia da Low Budget Republic anuncia essa semana um acordo com a Universidade Municipal de Itamonte para pesquisar a tecnologia da pasta de gente feia. Pasta de gente feia, segundo as mais brilhantes mentes atuais, é o combustível espacial do futuro. Moendo gente feia até alcançar uma pasta de partículas de nanômetros de diâmetro, é possível sintetizar uma substância concentrada tão repulsiva que a própria matéria se desloca para longe do concentrado de gente feia, proporcionando assim um impulso específico ótimo, inigualável por qualquer motor jamais concebido pela humanidade . O limiar teórico ainda é um tanto obscuro no que tange à capacidade da pasta de gente feia de repelir o próprio vácuo. Os físicos da LBRU estão trabalhando sobre a hipótese de que Partículas de Grande Massa que Interagem Fracamente se manifestariam, liberando tremendas quantidades de energia, quiçá suficientes para dar vida a novas estrelas.

Os pesquisadores da Universidade Municipal de Itamonte se concentram na questão da manufatura da pasta de gente feia; vários métodos foram teoricamente propostos, mas ainda é necessário testar sua viabilidade prática e em larga escala. Atualmente, a tecnologia mais promissora para sintetizar a substância consiste em aplicar pauladas em gente feia até reduzí-las à pasta.

DR

Les Savy Fav – What Would Wolves Do

Categorias: Comunicados Oficiais · LBRU

Luto Oficial

Março 20, 2008 · 2 Comentários

1917 - 2008

Back to stardust, old man.

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