O Ministério da Cultura da Low Budget Republic organiza domingo próximo, 31 de maio, a primeira Parada do Orgulho Racional do país (quiçá do mundo). Motivado pela repercussão da Parada do Orgulho Gay na cidade fronteiriça de São Paulo, o chanceler David sugeriu a organização de um evento que divulgue e inspire a tolerância para com as minorias ARHC (ateus, racionalistas, humanistas e céticos).
“A LBR é um oásis para nós, mas fora daqui ainda é muito grande a hostilidade para com as minorias racionais”, disse o Chanceler, ele próprio membro ativo do movimento, em entrevista ao Diário da República. “Com a Parada do Orgulho Racional, esperamos mostrar ao mundo que nós não somos nenhuma ameaça ao modo de vida das populações teístas, e que podemos conviver harmoniosamente em qualquer sociedade.”
Richard Dawkins, que já confirmou a participação de seu trio elétrico na parada, está muito animado com o evento: “Fiquei muito feliz com a iniciativa do chanceler. As minorias ARHC são muito mais estigmatizadas que a população GLBT do mundo. Nós também temos direito a desfilar nossas bandeiras, e a LBR entra pra história como primeira nação a abraçar o movimento de modo tão positivo”.
A polícia da LBR está se preparando para evitar a participação de grupos radicais na parada racional. Na manhã desta segunda-feira, um grupo de comunistas foi detido na fronteira do país carregando um boneco de Pascal e uma bandeira do Vaticano. “Eles pretendiam atear fogo na bandeira e espancar o boneco”, disse ao Diário o comissário David da Polícia Republicana. “Não gostamos de generalizar, mas comunistas costumam radicalizar qualquer manifestação desse tipo, especialmente os soviéticos mais idosos. Já tomamos previdências para que Noam Chomsky não entre na República durante o evento.”
A parada será realizada domingo, a partir das 14h no país (-3h em relação a Greenwich). O trajeto começa na sala do apartamento, e se encerra as 18h na varanda. Trios elétricos como o de Richard Dawkins e da cantora islandesa Björk animarão a multidão de participantes, que de acordo com a Polícia Republicana pode alcançar a incrível cifra de 20 pessoas. Balões gigantes de caricaturas de Carl Sagan e Bertrand Russel flutuarão nos céus da República durante o evento.
10-6 moléculas por cm³. Esse é o vácuo intergaláctico, o mais próximo que se chega do vazio absoluto. É o mesmo que ter um atómo, vejamos… um único átomo em 1 bilhão de quilômetros cúbicos, acho (cúbicos, não quadrados, veja bem). Podem ser 10 ou 100 bilhões de quilômetros, eu sempre me atrapalho com muitos zeros. A densidade aumenta um pouco no espaço entre as estrelas; tem gases, poeira estelar e garrafas PET*, mas ainda assim é bem vazio. Vazio mesmo. Ultra vazio. O espaço intergaláctico ocupa mais ou menos 90% do universo como o conhecemos. É como se vazio fosse a regra, e matéria a exceção.
Enfim, vazio. Vivemos num universo muito grande e vazio. Passe o dedo atrás do seu monitor; tem uma poeirinha, não? (é pra ter, sempre tem poeirinha atrás do monitor). Agora imagine essa poeirinha na ponta do seu dedo, em relação à Via Lactea. Nah, Via Láctea e Andrômeda. E as Nuvens de Magalhães, pra arredondar. Pensando bem, todas as galáxias conhecidas. É essa a relação entre nós – o planeta, com todos os Homo sapiens que já viveram até hoje, todos os artigos da Wikipedia, todo o spam e a pornografia da internet – e o resto do universo. Insignificante. Irrelevante. Um ser humano a cada bilhão de quilômetros cúbicos.
Desenvolver um senso real dessa proporção é fatal em 100% dos casos. Eu desenvolvi uma vaga – vaguíssima – idéia da coisa, e entrei em depressão clínica por uns cinco anos. Só me recuperei quando passei a carregar uma toalha comigo o tempo todo. Por conta disso, o Dia da Toalha se tornou um feriado nacional na Low Budget Republic. O país todo entra em recesso para refletir sobre a segurança proporcionada pela companhia constante da toalha. O uso de toalhas também é obrigatório a todos os cidadãos da LBR, em todos os dias do ano. Neste 25 de maio, sugiro que façamos todos um favor a nós mesmos, e reflitamos sobre o quão significante é uma toalha em nossas vidas. A equipe do Diário da República deseja a todos um feliz dia da Toalha.
*no espaço interplanetário também tem sacolas plásticas e folhetos de empreendimentos imobiliários.
Nada de importante, ao menos. Esse é um daqueles momentos na imprensa oficial de um país em que só resta falar sobre o festival da jabuticaba de Jabuticabal ou o concurso de poesia dos idosos de Braga (essa é pra vocês, leitores portugueses!).
Pois bem, a Low Budget Republic aproveita a oportunidade então pra lançar oficialmente seu mais novo (e primeiro) concurso cultural: 101 metáforas com modelos tchecas nuas ninfomaníacas.
Como é bem sabido por todos, as modelos do leste europeu, especialmente as tchecas e as ucranianas, são lindíssimas. Tão lindas que o mundo merece mais metáforas com elas. Um exemplo prático é este comentário sobre o desenrolar global da crise econômica dos EUA, elevado aos píncaros da arte, graças a metáfora com modelos tchecas nuas ninfomaníacas:
O mundo antes da crise imobiliária nos EUA era como uma porção de modelos tchecas nuas ninfomaníacas distribuindo free hugs em mercados de risco.
Magnífico.
A LBRU se propôs então a recolher 101 metáforas com modelos tchecas nuas ninfomaníacas para as preservar pela eternidade na capsula do tempo com metáforas supremas*. Para contribuir, basta deixar sua metáfora ali nos comentários. As melhores metáforas serão publicadas no Diário da República, assim como seus respectivos autores. Não há prazo para o envio das metáforas, e o concurso só acaba quando acumularmos 101 metáforas que mereçam ser preservadas pela eternidade. Como ninguém lê de fato o Diário da República, muito menos comenta, provavelmente levará outra eternidade para conseguir as 101 metáforas.