Diário da República

Entradas categorizadas em ‘Turismo mental’

Your love is like a rollercoaster baby

Outubro 23, 2008 · 3 Comentários

You give me that funny feeling in my tummy...

Tristes dias para a economia mundial. Com esse clima geral de parô ae, só vale dinheiro de verdade agora. O que é uma pena, porque o financial high foi um dos melhores baratos das últimas décadas. E também porque dinheiro de verdade é uma raridade, esses dias.

Top Gun e Caçada ao Outubro Vermelho deram algum sex appeal pra Guerra Fria, mas os tailleurs e sushi bars do mundo multipolar foram muito mais sexy. Era tudo uma questão de ser criativo, inventar um modo mágico de multiplicar dinheiro. Já ouviu falar em fundos Hedge? Genial. A coisa toda tinha suas bolhas, é claro, mas nada que não pudesse ser chamado de “pequeno ajuste” depois de algum tempo. Por mais imaginário que fosse o mundo financeiro, era lá onde o dinheiro da economia real ia para se reproduzir.

Até que tudo fez um pop! diferente.

Chegamos a um ponto em que de cada 3 dólares circulando no mundo, apenas 1 é de verdade, na forma de alguma coisa que existe no presente. O resto? Pura magia. A Low Budget Republic nunca viu problema algum nisso – dinheiro imaginário é tão sólido quanto um país imaginário, como se costuma dizer por aqui – mas ano passado alguém rompeu o paradoxo dos sapos voadores* e a coisa começou a ruir. Foi interessante o lag entre a crise do subprime do ano passado e a crise bancária derradeira atual; tecnicamente (ao menos daqui 5 anos vão dizer isso) é a mesma crise, mas algum mecanismo empurre-pra-debaixo-do-tapete-e-assovie-como-se-não-tivesse-acontecido-nada entrou em ação no período entre as crises. Enfim, foi um crash de realidade, como se os operadores do mercado financeiro tivessem tomado um café muito, mas muito forte e percebido de repente que a vida é uma grande ilusão.

Ninguém quer brincar mais de dinheiro de mentirinha. Os Estados tiveram que tirar do próprio bolso pra cobrir o vácuo deixado pelo dinheiro que na verdade nunca esteve lá, e agora estão planejando fazer um novo Breton Woods. Querem acabar com a magia. As coisas vão ficar mais chatas daqui pra frente, e vai ficar assim por um bom tempo. Eventualmente, porém, o status quo do liberalismo irá retornar, e a imaginação voltará a prosperar no mundo. Até que esse dia chegue, a economia da Low Budger Republic entrará em modo de hibernação por tempo indeterminado.

Boa noite.

*Dois sapinhos estavam voando, lado a lado. De repente um deles diz “hey, sapos não voam!” e os dois sapos começam a cair. Instantes depois, o outro sapo tem uma epifania: “mas sapos também não falam!” e ambos recuperam o vôo.

Categorias: LBRU · Turismo mental

Fear and Loathing in the Republic

Julho 13, 2008 · 2 Comentários

Neste caótico mês de julho, de 2008 em que a Low Budget Republic recebe mais um morador, este mais antigo que a própria República, fomos todos atacados por uma revoada de morcegos, sul americanos oriundos todos de Rondônia, Brasil. Tais animais da ordem Chiroptera carregam em suas vis mandíbulas um terrível agente alucinógeno, oriundo da digestão das ervas também utilizadas na obtenção do famoso chá de Santo Daime, capaz de fazer suas vítimas, imaginarem coisas temíveis e assutadoras. Após horas de peleja, com os pequenos demônios voadores, nossas defesas foram, incapazes de deter o ataque feroz das feras rondonienses, e fomos todos mordidos, alucinando em seguida uma inglória guerra com o estado de Rondônia misteriosamente imaginada, também por alguns de nossos melhores, leitores. Como efeito colateral da mistura do já citado agente alucinógeno presente nas mandíbulas dos morcegos com a alta concentração de ácido lisérgico presente na dieta dos habitantes da República perdemos todos aqui a capacidade de construir orações, concisas, sofrendo também esporadicamente de um raro distúrbio de hipervirgulismo. Interessante notar também, a capacidade adquirida pelos habitantes da República de viajarem a 1/32 da velocidade, da luz. O intervalo de tempo entre o ataque dos morcegos e a recuperação da lucidez por todos os habitantes da República não passou de 3 dias. Porém, para os observadores do evento lendo o Diário da República e que não estão viajando na mesma velocidade que nós o intervalo de tempo, foi muito maior, fazendo com que nossa, breve nota sobre o ataque tenha sido recebida, um mês depois de sua ocorrência. Mais informações a qualquer momento quando a equipe do Diário da República conseguir reestabelecer sua velocidade normal.

DR

Categorias: Turismo mental

The Bravery of Emptiness

Maio 24, 2008 · Deixe um comentário

10-6 moléculas por cm³. Esse é o vácuo intergaláctico, o mais próximo que se chega do vazio absoluto. É o mesmo que ter um atómo, vejamos… um único átomo em 1 bilhão de quilômetros cúbicos, acho (cúbicos, não quadrados, veja bem). Podem ser 10 ou 100 bilhões de quilômetros, eu sempre me atrapalho com muitos zeros. A densidade aumenta um pouco no espaço entre as estrelas; tem gases, poeira estelar e garrafas PET*, mas ainda assim é bem vazio. Vazio mesmo. Ultra vazio. O espaço intergaláctico ocupa mais ou menos 90% do universo como o conhecemos. É como se vazio fosse a regra, e matéria a exceção.

Enfim, vazio. Vivemos num universo muito grande e vazio. Passe o dedo atrás do seu monitor; tem uma poeirinha, não? (é pra ter, sempre tem poeirinha atrás do monitor). Agora imagine essa poeirinha na ponta do seu dedo, em relação à Via Lactea. Nah, Via Láctea e Andrômeda. E as Nuvens de Magalhães, pra arredondar. Pensando bem, todas as galáxias conhecidas. É essa a relação entre nós – o planeta, com todos os Homo sapiens que já viveram até hoje, todos os artigos da Wikipedia, todo o spam e a pornografia da internet – e o resto do universo. Insignificante. Irrelevante. Um ser humano a cada bilhão de quilômetros cúbicos.

Desenvolver um senso real dessa proporção é fatal em 100% dos casos. Eu desenvolvi uma vaga – vaguíssima – idéia da coisa, e entrei em depressão clínica por uns cinco anos. Só me recuperei quando passei a carregar uma toalha comigo o tempo todo. Por conta disso, o Dia da Toalha se tornou um feriado nacional na Low Budget Republic. O país todo entra em recesso para refletir sobre a segurança proporcionada pela companhia constante da toalha. O uso de toalhas também é obrigatório a todos os cidadãos da LBR, em todos os dias do ano. Neste 25 de maio, sugiro que façamos todos um favor a nós mesmos, e reflitamos sobre o quão significante é uma toalha em nossas vidas. A equipe do Diário da República deseja a todos um feliz dia da Toalha.

*no espaço interplanetário também tem sacolas plásticas e folhetos de empreendimentos imobiliários.

Categorias: Turismo mental

A República em 2008

Janeiro 20, 2008 · 2 Comentários

A Equipe do Diário da República deseja a todos os leitores um feliz ano novo e pode desculpas pela prolongada ausência. Com os preparativos para as comemorações da proclamação da República, o staff do Diário ficou ocupado demais até pra dizer que estava ocupado.

Para compensar nossa ausência, preparamos um boletim astrológico com os auspícios projetados pelos astros neste ano de 2008. A cortesia nos foi prestada pelo Ministério Metafísico da Low Budget Republic.

Áries
21 de março – 20 de abril

Este ano uma sonda da Agência Espacial Européia alcança Marte, seu planeta regente. É um bom momento para parar de usar roupas vermelhas. 2008 será o ano em que sua família se preocupará mais com o futuro, então procure um desconto para grupos em uma seguradora.

Touro
21 de abril – 22 de maio

Aldebaran, estrela mais brilhante da constelação de Touro, encontra-se a 65 anos luz da Terra. É uma gigante vermelha; originalmente do tamanho do Sol, Aldebaran esgotou o hidrogênio de seu núcleo e agora vai inchar até morrer. Tourinos devem fazer uma dieta em 2008 se quiserem evitar uma morte agonizante relacionada à obesidade.

Gêmeos
23 de maio – 23 de junho

2008 é um bom ano para os geminianos. Você vai alcançar grande prosperidade material, e sua riqueza só vai atrair amizades sinceras. E no dia 9 de junho, você vai perder tudo.

Câncer
24 de junho – 23 de julho

Ainda não será em 2008 que a ciência descobrirá uma cura para seu signo, ou pelo menos a maioria de suas variantes. Felizmente, os avanços tecnológicos recentes permitem aos cancerianos uma maior chance de sobrevivência aos casos malignos, como também uma ótima qualidade de vida depois do tratamento adequado.

Leão
24 de julho – 23 de agosto

Graças ao aquecimento global e aos buracos na camada de ozônio, o Sol, seu astro regente, será bastante odiado em 2008. Use protetor solar, recicle seu lixo, e faça uso do transporte público. É um bom ano para trocar suas lâmpadas por modelos fluorescentes ou LEDs.

Virgem
24 de agosto – 22 de setembro

Saia mais de casa, corte o cabelo, arrume roupas novas. Vá a um bar, evite cantadas cafonas e com sorte você consegue se livrar do seu signo em 2008.

Libra
23 de setembro – 22 de outubro

Librianos devem arrumar um cachorro o quanto antes em 2008. É de vital importância que tenham cães em seus lares, e pelo menos um deles deverá se chamar Bob Paraguaçu. Com a luz de Vênus refletindo os auspícios do número 18 (que, de acordo com a numerologia polaca, é a dezena imperial para o nome Bob Paraguaçu em 2008), seu lar será protegido das energias negativas.

Escorpião
24 de outubro – 22 de novembro
Em 2008 você vai morrer.

Sagitário
23 de novembro – 21 de dezembro

Sagitarianos devem fugir de carros azul-perolado este ano. Se o fizerem, vão ter uma vida amorosa repleta de ardor e paixão. Para evitar a influência astral negativa de carros azuis-perolado, sagitarianos devem plantar bananeira com uma mão só toda vez que virem um desses veículos. Só assim a energia vital de seus organismos se reequilibrará e o sagitariano poderá desfrutar os calores de sua paixão.

Capricórnio
22 de dezembro – 20 de janeiro

Capricornianos tem um ano desafiador adiante. A conjuntura internacional, o alinhamento dos astros e a comissão julgadora do Guinness Book apresentarão grandes obstáculos à realização de seus objetivos em 2008. Por isso, cante músicas com lalala no refrão e use páprica doce no preparo de frangos para garantir a harmonização de seus auspícios.

Áquário
21 de janeiro – 18 de fevereiro
As mudanças climáticas em Saturno, astro reinante de Aquário (e de meia dúzia de outros signos) tornam 2008 um excelente ano para o cultivo de cana-de-açúcar pelos aquarianos. Investimentos em etanol na BM&F são a melhor opção para os indivíduos deste signo, que, para proteger suas boas vibrações, devem usar apenas os canudos de cor azul e amarelo durante o ano.


Peixes
19 de fevereiro – 20 de março

Este ano o São Paulo vai ser campeão brasileiro. E da Libertadores. E do mundo. E da Galáxia. É de bom auspício aos piscianos mudarem de time em 2008. Sua vida amorosa será nula e o pisciano deve evitar a tentação de ligar para o ChatAmizade durante as noites solitárias para proteger a solidez de sua vida financeira.

Categorias: Turismo mental

30 seconds to Mars

Dezembro 5, 2007 · 1 Comentário

 - Nós vamos bater!
- Oh meu deus vamos todos morrer vamos todos morrer vamos todos
- Os retropropulsores, tenta os retropropulsores!
- Morrer vamos todos morrer vamos todos morrer vamos todos
- Pelo amor de deus homem acione os retropropulsores ou vamos todos morrer!
- Vamos todos morrer!
- Colisão em 20 segundos.
- O botão! Aperta a porra do botão dos retroplopssaaaaah!
- Dos morrer vamos todos morrer vamos todos morrer vamos
- Funciona! Funciona porcaria! Funciona!
- Mos todos mo
- Cala a boca e me ajuda! Toma, troca o fusível!
- Mas vamos todos morrer!
- Inferno vamos morrer se você não trocar a droga do fusível!
- Colisão em 10 segundos. 8. 7.
- Funciona!
- Morreeeeeeer!
- O fusível dos retroprojetores!
- Todos… retroprojetores?
- Eu sou o pai da sua filha!
- O quê!?

Boom.

É o nome de uma bandinha, não é? 

Categorias: Turismo mental

Eu, você e o Bruce Lee no banco de trás

Novembro 20, 2007 · 1 Comentário

- Pego a Sumaré?
- É, vira aqui e segue a Tito, vai cair na Sumaré.
- Tá apertado aí atrás, Bruce?
- Tá suave.
- O quê?
- Uóóóó!
- Beleza.
- Se quiser eu puxo o banco pra frente, Bruce.
- Nááááááá!
- Tá bom… E a República, David, como tá?
- Ah, a República vai bem, obrigado.
- E a política externa?
- Na mesma.
- É?
- Bom, agora temos uns parceiros comerciais na Melanésia.
- Ah, a Melanésia. Coco?
- Nah, fibra de coco.
- Uiáááááá!?
- Que foi, Bruce?
- Uóóó… iá.
- Nah, nenhuma aliança estratégica com nenhuma nação feminina, Bruce.
- Ele perguntou se você tá namorando?
- É. Até que faz sentido, política externa e tal.
- Poxa, não tinha pensando nisso. Boa, Bruce. Ah, Bruce?
- Uuuu?
- Você vai precisar vestir uma camisa, amigão. Eles não vão te deixar entrar lá assim.
- Oáááááá!
- Bruce, não! Pára, Bruce! Bruce! Eu to dirigindo, Bruce!
- Calma Bruce, você pode matar alguém com esses mamilos expostos. Sabe que já aconteceu.
- Uooá.
- Uh, já comeu aqui? Eles fazem uma picanha na chapa, cara, uma delícia.
- Nah, nunca comi.
- Tudo bem, nem é tão bom assim.
- Hm.
- É. Viu que o pudim com br saiu do ar?
- Mentira.
- Sério!
- Pudim com br só vai sair do ar quando a internet deixar de existir.
- Não, verdade, o domínio expirou.
- Mentira.
- Tá, é mentira.
- Uáááá.
- Por que mentir sobre o pudim? O Bruce não achou graça.
- Só to tentando puxar assunto. Viro aqui?
- Isso, direita.
- Como é que fala o nome dela? Delpí, Delfi?
- Quem?
- Julie Delpy. Aquela francesa, Before Sunrise, Before Sunset.
- Ela tem muita sorte de conseguir ser lembrada por Before Sunrise ao invés de Lobisomem Americano em Paris.
- Né? Mas Lobisomem Americano em Paris até que é legal. Sabe que consegui ouvir aquela Waltz For a Night dela inteira, outro dia?
- Não sei.
- Tá, foi uma pergunta retórica.
- Não, o nome dela. Não sei, eu falo Delpí mesmo. Delfi nem faz sentido.
- É, teria um f.
- Mas sério que conseguiu ouvir inteira? Quem tocava mesmo?
- Até agora já foram duas ex.
- Elas tomam fluoxetina também, né?
- Então, a última que tocou não tomava. Foi a única de todo o conjunto universo.
- Óóóóó.
- É Bruce, eu sou um cliché que atrai clichés.
- Hey, que bom que superou waltz for a night. Pela segunda vez.
- Obrigado.
- E eu acho muito bonitinho você falar cliché com acento agudo e não circunflexo.
- Dá pra notar na entonação da voz?
- É claro que dá.
- Escuta, por que eu to dirigindo e falando comigo mesmo no banco do passageiro?
- Não sei. Pra onde a gente tá indo mesmo?
- E o que o Bruce Lee tá fazendo no banco de trás?
- Você tá sonhando, David. Er, iáááá.
- Isso tá muito esquisito.
- Tá mesmo. Encosta aqui, eu vou descer e vou pra casa.
- Espera, eu te levo.
- Pára. Agora.
- Tá bom.
- Bruce, você vem comigo?
- Fica, Bruce, eu te dou uma carona.
- Uá.
- Whatever.

- Bruce, isso foi muito esquisito. Desculpe.
- Tudo bem. Vira aqui que você acorda.
- Direita?
- É.
- Só uma coisa, Bruce. Por que os gritinhos?
- São duas colheres de pó de café e três de açúcar.

That was weird.

Categorias: Turismo mental